domingo, 2 de novembro de 2008

Mais simples que usar saias

Sempre fui muito impressionada em como os meus dois avós paternos eram singulares. A minha avó era uma mulher daquelas que podemos dizer “macha”. Criou os sete filhos na “rédea curta”, e em toda a sua vida foi muito forte, enfrentou um câncer no pulmão com muita força de vontade e de viver, chegando até seus 89 anos lúcida e feliz.
O meu avô já falecido há muito, segundo os relatos do meu pai era exatamente o contrário dela: tinha preenchido os álbum do bebê de todos os seus filhos, e na adolescência de alguns dos meninos já recomendava usarem a tal “camisa de Vênus”. Ela era o elemento “recreador” das crianças.
Agora vamos ao choque: O meu pai tem 58 anos, meu avô morreu quando ele tinha 10, fazendo as contas essas coisas aconteceram entre a década de 30 e a de 40. Podem fechar as bocas agora porque não é nada demais: Sim! Vovô Joaquim era um homem extremamente a frente do seu tempo, mais ainda do que muitos homens nascidos em 1980.
Ele não fazia tarefas domésticas e nem saía em passeatas feministas, mas eu digo que talvez tenha sido um dos primeiros homens feministas. Apenas pelo fato dele não se incomodar em fazer tarefas que são comuns às mães, e ter outros tipos de pensamento que não eram típicos dos homens da época. Ele já falava em camisinha com seus filhos enquanto quase todos os outros pais não se preocupavam nem em dizer “não meu filho, não é certo transar com uma menina correndo o risco de engravidar, se você não quer um bebê”. Ele já sabia que era errado dizer que a mulher engravidou porque quis, ou porque “seduziu” o menino.
Talvez ele nem tenha sido acordado pra isso, não há nenhum registro em que ele fale “sou feminista!” Mas que ele encarava o sexo oposto como um grupo de pessoas com os mesmo direito dos homens de serem livres, isso ele encarava.
O feminismo não é um movimento composto por mulheres as quais acham serem mais que os homens, ou os subjugam como eles tem feito com nós seres do sexo feminino há milhares de anos. Elas simplesmente lutam pelo direito de não ganhar um salário desfalcado por terem nascido meninas, de trabalhar fora, de dividir tarefas domésticas, de ter a almejada liberdade de exprimir seus pensamentos em uma sociedade patriarcal, e sobretudo de ser tratadas com igualdade. Não está nos planos das feministas queimar “machos” na fogueira, como muitos pensam. Apenas querem e muito o equilíbrio.
Ainda hoje há homens que se acham mais em relação a tudo, pensam ter o poder total de dar a última palavra aos filhos ignorando completamente a decisão de sua companheira, batem em suas mulheres filhas e filhos, querem mulheres apenas dentro de casa, e não apóiam suas esposas. Isso tudo porque foram educados em uma fôrma machista, sempre escutando “meninos serão sempre meninos” e outras frases do tipo. Esses meninos que hoje estão bem crescidinhos precisam entender que a nossa alma está acima da nossa força física e de como parecemos por fora. Esses homens assim como as mulheres, precisam entender a amplitude de quem somos. No final, tudo deságua no fato de sermos seres humanos que vivem, que cantam que escutam e que falam. Que têm opiniões, que possuem uma mente pensante e um coração pulsante. É fantástico demais estar aqui vivendo, para se preocupar com coisas tão pequenas como querer ser e ter mais que os outros.
Homens podem ser feministas sim, podem viver em harmonia com as mulheres e podem pensar mais alto!
O meu avô em 1940 já entendia tudo isso, porque nós no século XXI não podemos entender? Esse mundo tem porquês demais, para darmos ao luxo de ignorá-los. Que tal começarmos a desafogar a cota mundial de porquês começando pelo entendimento do feminismo? Se começar por você, para o mundo é apenas um pulo de salto alto.


Rita Amorim

Um comentário:

Vitória disse...

Ei, você escreve bem!
Num atualiza mais não aqui, mulher?
Dá uma olhadinha no meu tb e vê se vc gosta das coisinhas que eu escrevo.
=)